Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
     
 
 
 
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Missões populares Redentoristas : Alguns pontos de insistência

  A Missões populares Redentoristas : Alguns pontos de insistência

 
 
As Missões Populares Redentoristas deverão ser sempre um apelo à Conversão. Uma conversão pessoal, comunitária, estrutural e também cultural. Há valores que ainda não foram integrados na mentalidade de muita gente e, principalmente, nas estruturas da vida social. Por isso, não basta apontar apenas os pecados tradicionais, dos quais sair. É mais importante apontar com clareza para onde ou para o que converter a própria vida, mudando a mentalidade e as atitudes pessoais e levando a comunidade a lutar. Alguns pontos parecem imprescindíveis numa nova Evangelização:
 
1.       Jesus Cristo Redentor, ontem, hoje e sempre
Acreditamos que a conversão cristã é essencialmente uma conversão para Alguém, não para idéias ou ações. O acolhimento de Jesus na fé, no amor e na esperança é o coração da revelação cristã, é a sua Boa Nova. Tal conversão nos faz sentir dentro do coração, de forma bem pessoal, que Jesus ama e se entrega por todos e cada um. A iniciativa salvífica parte dele. Nossa conversão é resposta. Levar a esta intimidade com o Senhor, antes que apresentá-lo como rei do universo ou juiz das nações. Fazer com que haja uma busca de união interpessoal, afetiva e efetiva, com Jesus, que produza perdão, reconciliação, paz, alegria. Só então, é possível falar em compromisso comunitário e social. É preciso passar para o povo a herança da grande paixão de Afonso por Jesus. Não haverá nova Evangelização sem uma profunda experiência cristocêntrica de cada cristão. Só tal experiência pode trazer paz e segurança, e criar disponibilidade para assumir a vivência cristã com fidelidade. Ligada íntimamente ao mistério de Jesus está a missão de Maria. Nosso mariologia deve ser totalmente cristocêntrica, tal como fazia S. Afonso.
Será que Jesus tem tido suficiente espaço em nosso kérigma missionário? Sempre tive a impressão que há falta. Creio que nossa trilogia: presépio, cruz, ascramento mereciam mais tempo e dedicação em palavras e símbolos.
 
2.       A reapropriação definitiva da Bíblia, como Palavra viva:
A Bíblia ainda não faz parte do tesouro cultural do católico. Está sempre intimidadeo diante de qualquer crente. E é pela falta de hábito com a Bíblia que muitos católicos passam a crentes.
É importante que abracem a Bíblia afetiva e efetivamente, como patrimônio próprio. E a entendam como história e projeto de salvação, cujo ponto central e decisivo são os Evangelhos.
É incoerente realçar o valor sacramental da Bíblia e em seguida, celebrá-la ás vezes de forma tão banal. Tratá-la com carinho, e respeito significa testemunhar que nós cremos que ela nos oferece de fato a Palavra de Deus. É também um sinal sacramental da presença real do Senhor Ressuscitado no meio da sua comunidade e isso deve ser visibilizado ritualmente.
 
3.       A pequena Comunidade, célula viva da Igreja: grupo ou setor missionário
Uma comunidade de fé e vida, que oferece um espaço para o relacionamento fraterno entre as de pessoas, e que se apresenta como uma experiência de convivência alternativa à vida social do mundo: lugar de convivência e não de competição, de partilha e não de ganância, de serviço e não de dominação, de amor, respeito e ternura e não de erotismo.
O testemunho de uma comunhão eclesial, menos sacralizada e mais relacional, demonstra a viabilidade e a validade da proposta evangélica para todos. A experiência da filiação divina e o conseqüente empenho na construção de uma fraternidade feita de união, de solidariedade, de missão comunitária demonstram que o Transcendente existe, atua na vida humana e a transforma. É um Transcendente que está no meio de nós, porque encarnou-se e tocou nossas vidas. Eis uma comunidade que se torna, em si mesma, evangelizadora, porque contrasta com os outros estilos de vida social.
Valores importantes: amizade, Palavra de Deus, serviço, unidade, solidariedade.
 
4.       O sentido ético-moral
Há dois valores que precisam penetrar na cultura do cristão, como pontos de partida para qualquer discurso ético-moral:
·          a sacralidade da vida humana, desde a concepção até a morte, como Dom de Deus, de que ninguém tem direito de dispor.
·          a dignidade inalienável de cada pessoa, simplesmente enquanto ser humano, enquanto gente.
A partir desses dois valores, pode-se entrar na moral familiar, na ética social e política. Os princípios que decorrem apontam para uma moral positiva, em que se destacam:
·          a fidelidade à consciência pessoal
·          a humanização da vida e da convivência social, como objetivos maiores para todo o agir humano, que lhe qualifica o próprio viver. O humanizar cruza-se com o próprio mistério da encarnação do Verbo. Cidadeania, justiça, libertação, solidariedade e convivência pacífica integram uma autêntica evangelização.
·          Equilíbrio ético-moral universal, enquanto busca de harmonia e de priorização de valores contra a esquizofrenia da ciência.
O sentido positivo da moral se manifesta em todas as iniciativas sociais e eclesiais, em que a vida e a pessoa são defendidas e promovidas: Pastoral da criança, Pastoral da Terra, Pastoral do pescador, ONGs ambientalistas, etc.
Este sentido ético-moral deve se alargar para a consciência e a denúncia dos grandes pecados questão da dívida externa, da escravização atual de trabalhadores, inclusive crianças, da violência urbana, da prostituição, dos grandes esquemas financeiros: mercados mundiais, tráfico de drogas e de armas, guerras religiosas, etc.
Em tudo isso, a ética-moral cristã sublinha sempre a atitude reconstrutiva de reconciliação e de misericórdia, que nunca se cansa de oferecer uma nova chance a quem quer que seja.
 
5.       O sentido de solidariedade comunitária
A opção preferencial pelos pobres é o gesto primeiro e imprescindível de solidariedade cristã, seja para socorrer, seja para lutar pela sua libertação social e espiritual. Aqui é importante ter bem claro o que compreende o direito às necessidades vitais de cada pessoa: o direito à moradia, ao trabalho remunerado, à escola, a saúde, à terra de subsistência. O supérfluo rouba o necessário de muitos para transformá-lo em supérfluo de poucos. Por isso, a riqueza é construída a custa da pobreza.
Os Evangelhos do Lava-pés e do Bom Samaritano necessitam de quem os atualize com clareza dentro de nossa sociedade, que compete pelo poder, discrimina e é indiferente aos sofrimentos e à violência. A solidariedade abre espaço par o voluntariado organizado, que poderá ser a grande força de transformação social pacífica de nossa sociedade.
A solidariedade se explicita no serviço e na participação pela transformação da sociedade pelo bem dos pobres. Ela compreende, portanto, o compromisso político, a conquista da cidadeania.
 
6.       Uma Espiritualidade missionária
Mais do que nunca os homens e mulheres estão sedentos de Espiritualidade, buscando-a até em fontes poluídas ou envenenadas. Nossa Copiosa Redenção precisa ser anunciada com zelo missionário, através da nossa experiência de vida. “Sentimo-nos levados a compartilhar nossa fé e nossa esperança com todos”. (Mensagem final do Cap. Geral 97, n. 12). Não precisamos fugir para outras espiritualidades, mas também já não basta, principalmente em nossos dias, fazer pastoral missionária: pregar, celebrar, etc. Temos que partilhar com todos, começando dentro de nossas casas, a nossa Espiritualidade, para que todos saibam qual é “a razão de nossa esperança.”(1Pd 3,15). É a urgência de iniciarmos um anúncio explícito da nossa Espiritualidade, não tanto através de conferências ou pregações, mas sim, através da transparência ou exposição de nossa vida pessoal e comunitária. As palavras servirão muito pouco para simbolizar a ação redentora do Espírito em nós. É preciso que nos apresentemos realmente como ungidos pelo Espírito, com aquela unção que nos conforma com Cristo e nos faz ter os seus sentimentos.
 
 

“Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir! Olhai o futuro, para o qual vos projeta o Espírito a fim de realizar convosco ainda grandes coisas” (João Paulo II, Vida Consagrada

Pe. José Ulysses da Silva, C.Ss.R

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